quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Fagulhas

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Abri curiosa o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.
Eu queria rir, chorar,
ou pelo menos sorrir
com a mesma leveza com que os ares me beijavam.

Eu queria entrar, coração ante coração,
inteiriça,
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando.

Eu queria até mesmo saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.

Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.

Eu queria apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.

Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio.

Eu queria ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las.

Eu não sabia
que virar do avesso
era uma experiência mortal.



Ana Cristina César

2 comentários:

uma pedra. disse...

Ana Cristina César,amor literário a primeira vista,

uma pedra. disse...

E eu também não sabia
que virar do avesso
era uma experiência mortal.