terça-feira, 24 de março de 2009

O olfato e as emoções

"A
percepçãoperseptiva é um processo que influi na trajectória de crescimento e reorganização do cérebro com vista a este se ir adaptando melhor ao ambiente e conseguir agir com mais eficiência inserido nele. E a parte mais antiga do cérebro, o rinencéfalo (cujo nome é composto por duas palavras significando «cheiro» e «cérebro»), que compreende as áreas olfativas e límbicas, parece ter-se desenvolvido inicialmente a partir de estruturas olfativas. O que indica que provavelmente a capacidade para experimentar e expressar emoções se terá desenvolvido a partir da habilidade para processar os odores. Só mais tarde na evolução darwiniana se parecem ter desenvolvido outras estruturas límbicas como o complexo amígdala-hipocampo.
Como no caso das
emoções básicas, a resposta imediata aos odores transmite uma mensagem simples e binária: ou se gosta ou não se gosta; fazem-nos aproximar ou evitar. E verifica-se que, quando uma pessoa sofre um trauma que a faz perder o olfato, o impacto se torna por vezes devastador: as experiências de comer ou fazer amor ou mesmo passear numa manhã primaveril ficam extremamente diminuídas. E há casos em que se verifica que há uma diminuição de intensidade mesmo em todas as experiências emocionais.
As
memórias que incluem lembrança de odores têm tendência para ser mais intensas e emocionalmente mais fortes. Um odor que tenha sido encontrado só uma vez na vida pode ficar associado a uma única experiência e então a sua memória pode ser evocada automaticamente quando voltamos a reencontrar esse odor. E a primeira associação feita com um odor parece interferir com a formação de associações subsequentes (existe uma interferência proactiva). É o caso da aversão a um tipo de comida. A aversão pode ter sido causada por um mal estar que ocorreu num determinado momento apenas por coincidência, nada tendo a ver com o odor em si; e, no entanto, será muito difícil que ela não volte sempre a aparecer no futuro associada a esse odor."


Nove horas da manhã, belo dia, sol despontando, um sutil vento.
Acordar,café, café, café, humor nulo , como as palavras quase não ouvidas...
Pensamentos que voam com o vento sutil, sonhos estranhos e sexto sentido sentindo, preocupações ou não, já não importa tanto assim,
- Vamos Camila está na hora!
Passos lentos, como todas as manhãs, era tão inerte que fazia seu caminho de forma mecânica,sem nenhuma atenção ao resto.
Quase perto do trabalho matinal, respiração profunda,que sempre faz , como uma força de começar o dia, e antes de entrar, ao seu lado passa um perfume, não uma pessoa, que também podia ser, mais principalmente um perfume.
Sempre foi assim, memoria olfativa de longe ganha de qualquer memoria,dispara o coração e logo parte para associações e tenta lembrar de onde e porque e pra onde ou pra quem.
Mais tal perfume não precisou de mais que uma respiração profunda de identificação, turbilhão de sentimentos pra quem estava inerte, é ruim, de fato.
Um leve sorriso quase escondido, o entendimento quando feito em silêncio é mais leve, não foi só um perfume que passou, foram lembranças, foi uma saudade.
Mais alguns passos, outra respiração em um ar nulo, percepção de tempo e espaço de volta... e continuou o que estava indo fazer.

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